Depois do magnífico concerto há dois anos, quando visitaram pela primeira vez Portugal e o MED, ainda sob a denominação Bajofondo Tango Club, os rapazes e rapariga parte uruguaios, parte argentinos, desta feita com o nome reduzido a um terço voltaram a deslumbrar o público do MED.
Já os tinham ouvido no mesmo recinto, já lhes conheciam o estilo musical e a energia, mas o que se viu no Palco da Matriz da noite de quarta-feira, a primeira do MED 2009, foi um espectáculo que não deixou ninguém impávido.
Deixando cair no ano que passou a secção Tango Club, os Bajofondo fizeram questão de mostrar o porquê dessa mudança, apresentando um registo muito mais próximo dos remixes de Luciano Supervielle do que do seu primeiro álbum homónimo, onde a presença da música de Piazzola era muito mais forte.
Nos Bajofondo de 2009 dominam as batidas, os scratches, o electro-tango, que agora já é mais electro do que tango, tudo se conjugou na criação de um grande ambiente de festa.

Da poderosa voz de Gustavo Santaollala à mestria do som produzido por Martín Ferres no mítico bandonéon e à energia simultaneamente violenta e suave de Javier Casalla, os Bajofondo versão 2009 são um exemplo perfeito de mestiçagem sonora no século XXI, aliando as capacidades técnicas de Luciano Supervielle como dj ao toque visual da vj Verónica Loza.
De facto, a presença em palco de uma vj demonstra uma preocupação e um cuidado visual acima de média, em especial num festival ligados às raízes da música, como o MED, e em que a estética dos concertos acaba por ser relegada para segundo plano, face ao destaque atribuído, e bem, à musica.
Resumindo, o espectáculo dos Bajofondo, porque foi um espectáculo, a abrir o Festival MED 2009 foi, segundo se afirmou momentos depois da saída de banda de palco, desde logo o melhor concerto dos cinco dias de festa na zona histórica de Loulé, quando ainda mal havia terminado o primeiro.
Os Bajofondo estiveram então primorosos, envolvendo o público de tal forma na sua música que o transportaram literalmente para cima do palco, por entre uma rendição do clássico algarvio “Tia Anica” e os clássicos dos seus dois álbuns de estúdio.

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Nome: Bruno Nunes
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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.
