Era no 3º dia do Festival MED que, com a actuação da mítica Orquestra cubana Buena Vista Social Club, as grandes expectativas estavam concentradas, isto apesar dos grandes nomes que este ano recheavam o cartaz do festival. Era uma expectativa mais do que justificada e que levou milhares à zona histórica de Loulé, na procura por ritmos genuínos, pela essência de Cuba.
Com 20 minutos de atraso lá foram entrando, numerosos, e com cara de poucos amigos – são uma orquestra, afinal de contas. Ao longo de uma hora e meia, nem mais nem menos, lá foram fazendo o seu trabalho – e foi de trabalho que se tratou, deixemos as interacções culturais para outros – de forma competente, com algum improviso (com o contra-baixista e o pianista evidenciaram-se claramente) que fizeram valer a deslocação dos milhares ao largo da matriz. Foram, da forma mais literal possível, uma banda de Casino, uma banda de burgueses e não do povo, daquelas que actuam nos ambientes mais controlados dos Resorts de 5 estrelas, tudo incluído, de Varedero e que tocam para os turistas embriagados pelo rum falso e pela fantasia de que respiram Cuba. Como diria Pedro Guerreiro via twitter (@pedrofguerreiro):
desilusão total, os Buena Vista Social Club. Lamenta-se: o que restou, depois de Compay Segundo e Ibrahim Ferrer? pouco.
Foi (apenas) um bom concerto e, certamente, um bom momento passado para quem optou por se deslocar ao Med que, ainda assim, lá foi abanando a anca. Mas não nos iludamos, naquele dia Cuba – e toda a sua essência – continuou no outro lado do Atlântico.
No final, sem encore e de forma pouco latina lá se despediram com um “Adeus e até à sempre”.
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Nome: Pedro Martins
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