Depois da feitiçaria (Harry Potter) e do vampirismo (Crepúsculo), há quem diga que 2010 que ainda não vai ser ano literário para coisas normais: a nova aposta deste ano, consta, deve passar pelos zombies. Esta é, por exemplo, a opinião de Alexandra Macedo, crítica literária do i: “Este arrisca-se a ser o ano dos mortos vivos”, disse àquele diário.
Isabel Coutinho, jornalista do Público, concorda. Segundo um texto publicado naquele jornal depois da Feira do Livro de Frankfurt (que decorreu em Outubro e é o mais importante encontro literário mundial, funcionando como um espécie de antecâmara do ano literário seguinte), vão continuar “os vampiros e os autores de policiais nórdicos [que seguem na peugada de Stieg Larsson] e os zombies”.
E, se os vampiros já estão nos escaparates das livrarias portuguesas há muito, os zombies só agora chegam. Pela suspeita do costume: a Gailivro, que tem sido em Portugal – a par da Saída de Emergência – a editora mais activa na publicação de livros da área do fantástico, vai este ano editar três livros de zombies, todos bestsellers – “Guerra Mundial Z”, de Max Brooks, “Orgulho, Preconceito e Zombies”, de Seth Grahame- Smith e “Floresta de Mãos e Dentes”, de Carries Ryan -, esperando que o já considerável nicho de apreciadores de «Zombie Lit» contagie outros leitores para as tradições destes (já) clássicos.
Na pista de Stieg Larsson
Para além dos vampiros e dos zombies, as editoras português vão mesmo apostar no filão sueco: “Nefilim”, um bestseller na Súecia, vai ser publicado este ano pela Editorial Presença, enquanto a Porto Editora detém os direitos e vai publicar “O Hipnotista”, de Lars Kepler, pseudónimo de um homem e uma mulher suecos (a mulher terá inclusivamente ascendência portuguesa, segundo o editor Manuel Alberto Valente contou à jornalista Isabel Coutinho). Depois de Stieg Larsson, Kepler é visto como a next big thing sueca.
A Alêtheia, de Zita Seabra, investiu num também muito disputado thriller de Howard Marks: “Sympathy for the Devil”.
Bolaño, Bolaño, Bolaño
2009 foi o ano de Roberto Bolaño – e, pela nossa parte, ainda bem. E 2010 pode também ser o ano de Roberto Bolaño. É que a Quetzal não se fica por aqui (por “2666″): já em Fevereiro, sairá “O Terceiro Reich”, mais um inédito póstumo de Bolaño, que vai ser lançado simultaneamente em Portugal e Espanha, durante o Correntes d’Escritas, que decorre na Póvoa de Varzim.E em carteira, fica ainda “Los Sinsabores del Verdadero Policia”, cujos direitos a Quetzal já detém.
Ainda nos primeiros meses de 2010, a Quetzal vai ainda publicar o “Livro”, de José Luís Peixoto.
Nova editora, muita pujança
Apesar de ainda ter poucos títulos já publicados (para já conta com “Depois de Morrer aconteceram-me muitas coisas”, de Ricardo Adolfo – ver crítica – ou “Saber Perder”, de David Trueba, por exemplo) a Objectiva, nova editora do grupo Santillana, promete um ano forte.
A começar por uma grande aquisição: Valter Hugo Mãe. O escritor e poeta português, que venceu o Prémio Saramago em 2007 pelo seu romance “O Remorso de Baltazar Serapião”, da Quidnovi, publica já no próximo mês “A máquina de fazer espanhóis” pela Objectiva. O escritor revelou “alguma tristeza por ter deixado de editar com a Maria do Rosário Pedreira e Ana Pereirinha” mas é “aliciante” (…) “trilhar novos caminhos”. Segundo a editora, o livro é uma “reflexão sobre a terceira idade”.
Em leilão na Feira do Livro de Frankfurt, a Objectiva conseguiu ainda os direitos de “Conversations with Myself”, os diários de Nelson Mandela, por valores considerados muito elevados. A obra deverá ser publicada ainda este ano.
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Nome: Pedro F. Guerreiro
Número de Artigos: 26
Jornalista. Amante de literatura, política, cinema, música, desporto e senhoras. Seguir, aqui: http://objectoquase.blogspot.com

A Saída de Emergência é que "tem sido em Portugal a editora mais activa na publicação de livros da área do fantástico".
Viva Cátia,
De facto, a Saída de Emergência tem sido bastante activa na área do fantástico – embora para nichos diferentes da Gailivro, julgo. Penso que estão, por agora e sem grandes juizos de valor, em patamares semelhantes na publicação de livros nesta área. Naturalmente, e reforçando: públicos e autores diferentes.
O essencial: obrigado pela visita e pela correcção (que é bem feita). E por isso, o texto acima já lhe faz a devida justiça. Cumprimentos.
A colecção Bang! da Saída de Emergência e a colecção 1001 Mundos da Gailivro, têm publicado autores diferentes, todavia, ambas publicam Fantasia e Ficção Científica, para o público jovem-adulto e adulto. A colecção da SDE publica também outros géneros, mas não os tinha considei quando fiz o comentário anterior.
A Saída de Emergência tem publicado literatura fantástica em maior quantidade e com maior regularidade, nos últimos anos e no início de 2010. Mesmo em matéria de romances com vampiros, a SDE superou a Gailivro em quantidade com a publicação de 4 livros da série "Sangue Fresco", de Charlaine Harris e 3 livros da série de P.C. Cast e Kristin Cast. Cumprimentos.