Comecemos pelo essencial: «Up in the Air» não é um mau filme. Simplesmente não é nada de especial. E tudo me pareceria perfeitamente normal não fosse todo o frenesim motivado pelas nomeações (seis para os Oscars, entre os quais os de melhor Filme e melhor Actor, e outras tantas nos Globos de Ouro) que o filme tem recebido.
Com argumento adaptado do bestseller homónimo de Walter Kirn, o enredo aumentaria, à partida, o interesse em torno do filme, aliando ainda isto, a curiosidade de perceber como se comportaria um Jason Reitman após os sucessos que foram «Juno» (2007) e «Thank You for Smoking» (2005).
George Clooney, que cada vez mais parece ter olho para filmes “oscarizáveis”, surge assim num papel de Ryan Bingham, um homem cujo a sua profissão é, tão simplesmente, despedir pessoas, “obrigando-o” a ter uma vida rotineiramente nómada, em constantes viagens pelo país. Um homem que adoptou os quartos de hotel como sua própria casa, e os aviões como sala de estar, prezando este estilo de vida ao ponto de o adoptar como filosofia.
No entanto, o enredo que tanto prometia rapidamente se torna previsível e entra nos limites da banalidade, transformando-se num daqueles filmes de filosofia barata que normalmente se encontram disponíveis numa qualquer livraria na secção de auto-ajuda.
O que à partida demonstrava ser um filme complexo esbate-se com o conteúdo final de um típico feel good movie. Nem mesmo a prestação de George Clooney, aqui em modo automático mas ainda assim positiva, foi suficiente para salvar uma estória pouco imaginativa e sem qualquer essência. Mais previsível do que a existência de um possível romance que vem colocar em causa toda esta filosofia, só mesmo o facto de uma desilusão amorosa arrastar o protagonista para o ponto de partida: Sozinho, num avião.
E assim, um filme que tinha todo o potencial de despertar no espectador uma reflexão em torno da actual conjectura económica mundial e da frieza com que as organizações tratam os seus funcionários (nos já famosos layoffs em massa), torna-se, tão simplesmente, numa comédia banal anti-romântica, ao ponto de, em certos momentos, darmos por nós à procura de Hugh Grant no ecrã.
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Nome: Pedro Martins
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