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A vida de J. D. Salinger chegou ao fim. A sua obra talvez não.

Ao longo da sua vida, escreveu apenas quatro livros, um deles uma compilação de contos. O mais recente, no título original «Raise High the Roof Beam, Carpenters and Seymour: An Introduction» («Carpinteiros, Levantai Alto o Pau de Fileira e Seymour: Uma Introdução») foi publicado em 1963, mas ainda assim J. D. Salinger manteve até à data da sua morte a aura de escritor genial. Merecida, diga-se.

O dia final, esse chegou a 27 de Janeiro deste ano, de causas naturais.

De «The Catcher in the Rye» («À Espera no Centeio», em Portugal), a sua primeira obra e aquela que o catapultou para as bocas do mundo literário em 1951 até «Hapworth 16, 1924», o último pedaço de literatura que publicou, em 1965, Salinger optou sempre por se manter afastado da exposição mediática.

Tal como o seu compatriota Thomas Pynchon, Jerome David Salinger optou por colocar a obra à frente da vida, uma escolha que ironicamente lhe viria, tal como a Pynchon, a prolongar a imagem de criador eremita, embora brilhante.

Poucos dias depois do seu desaparecimento, a The New Yorker disponibilizou aos leitores 13 estórias criadas por Salinger, com o único inconveniente de estarem apenas disponíveis aos assinantes online da revista.

Para aqueles que não pretendem pagar, estão ainda disponíveis reacções à vida e obra do autor, nomeadamente de Wes Anderson, Dave Eggers, Adam Gopnik, Chang-Rae Lee e John Seabrook, entre outros.

Com a morte de J. D. Salinger, uma das primeiras questões que pareceu surgir no meio literário foi a possível existência de uma arca recheada textos inéditos que o autor terá continuado a escrever ao longo da sua vida, tendo escolhido deliberadamente não os publicar.

Alimentada por rumores e uma boa dose de esperança por parte dos fãs de Salinger, a existência de um suposto conjunto de manuscritos poderia dar ao mundo mais algumas oportunidades de apreciar a arte deste escritor.

“Existe uma paz maravilhosa em não publicar”, afirmou J. D. Salinger ao New York Times em 1974. “Publicar é uma invasão terrível da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Eu adoro escrever. Mas escrevo para mim próprio e para meu próprio prazer”, referiu o autor, numa afirmação que pouco contribui para diminuir as expectativas dos leitores para “a futura obra” de Salinger.

- Anúncio da morte de Salinger pela The New Yorker.

- Lista das 13 obras de J. D. Salinger disponibilizadas pela The New Yorker aos assinantes da revista.

- Testemunhos e reacções à vida, morte e obra do autor, pela The New Yorker.

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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