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A noite especial de B Fachada @ ZDB

© Vera Marmelo

Foi uma Zé Dos Bois (ZDB) esgotada aquela que recebeu um tal de B Fachada, numa noite fria e chuvosa mas que, ainda assim, se adivinhava acolhedora para ouvir as baladas revivalistas de um músico que tendo as suas influências no passado representa uma das mais interessantes promessas na música nacional.

Em conversa com Inês Meneses, no programa «Fala com Ela» da Radar, B Fachada havia já adiantado que este seria um concerto muito especial, por ter, pela primeira vez, a participação do seu amigo Martim – que o acompanhou ao longo do concerto no contrabaixo e nos coros. Esta foi aliás uma relação de palcos que começou da melhor forma, com o contrabaixo a preencher os espaços vazios, resultantes de falsetes mais prolongados, e com uma interacção entre os dois músicos – e o próprio público – bastante saudável.

O espaço esse era – também ele – especial para o músico, estando repleto de pessoas numa sala pequena e intimista, como o som de Fachada, e que por momentos pareceu ter sido feita à medida para receber um concerto do músico de Cascais.

© Vera Marmelo

Com um alinhamento que foi além das músicas que compõe o álbum homónimo, B Fachada apresentou canções menos conhecidas que tiveram o dom de facilmente conquistar uma plateia que, na sua grande maioria, provavelmente nunca as tinha ouvido. É assim B Fachada, fácil de se consumir sem ser fast food, muito pelo contrário, com uma sensibilidade musical – em disco e ao vivo – impressionantes e capazes de meter uma multidão a cantar ao ritmo do pulsar do seu coração, porque é no fundo isso que se canta: amores e, sobretudo, desamores.

B Fachada faz questão de se apresentar como criador de canções, engenheiro de notas múltiplas que conjuga a melodia com voz na busca de algo que atraia multidões. Não se vê como músico de performance ou, pelo menos, segundo disse na mesma entrevista transmitida na Radar, não é esse o seu principal interesse. E, de facto, compreende-se que Fachada seja o oposto de uma super star da pop, vulgo monstro de palco. Tímido e demasiado pensativo para reagir a instintos do momento, limita-se a fazer o que melhor sabe, tocando para os ouvidos e corações de quem o rodeia.

A noite na ZDB não foi excepção, com o músico a pedir de início às pessoas para subirem ao palco e aproximarem-se, rodeando-o quase por completo. E nisto surgiram as primeiras notas, ainda sem Martim em palco, oriundas de um órgão em tudo condizente ao estilo peculiar de B Fachada. Por momentos, a sala, atafulhada de gente e ruídos, fechou-se num silêncio inquebrável para escutar «Responso para Maridos Transviados». Foi sol de pouca dura. Da mesma forma como se silenciou, o ambiente-se soltou-se num clima de festa e celebração à música de B Fachada.

© Vera Marmelo

Num concerto onde os momentos altos alternaram entre «Só te Falta Seres Mulher», «Kit de Prestidigitação» e «Cantiga de Amigo» B Fachada conseguiu recriar a aura do álbum, acrescentando-lhe um toque mágico resultante da mesma timidez, que não fazendo deste um monstro de palco, fizeram do concerto de quinta-feira algo monstruoso.

Download do programa «Fala com ela» com entrevista B Fachada.

Fotografias da autoria de Vera Marmelo. [flickr] [portfólio] [blog]

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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