Uma mulher que escreve poesia é o quê? A pergunta pode parecer disparatada, mas o facto é que o termo poetisa caiu em desuso – de tal modo que já existem em vários países (como a França, por exemplo) grandes batalhas para reabilitar o substantivo no género feminino.
Apesar de todos os dicionários consagrarem a palavra poetisa como de uma pessoa do sexo feminino que escreve poesia, as mulheres que escrevem poesia são comummente identificadas como poetas – mesmo (ou principalmente) nos círculos literários.
Maria Teresa Horta é a primeira subscritora de uma petição literária imaginária pela reabilitação do termo poetisa, porque considera que o termo é considerado menor. “O que é feito da palavra poetisa?”, pergunta-se. “É uma questão de machismo”, revela a autora e um dos rostos mais marcantes do femininismo em Portugal (fundou, juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa o Movimento Feminista de Portugal) .
“Quando eu comecei a ter algum reconhecimento na poesia, chegavam a dizer-me: você não é poetisa; você é poeta, um bom poeta”, conta Maria Teresa Horta. Segundo a também jornalista, escritora e cineclubista, isso acontece porque “a poesia estava [ironia] confinada aos homens”.
“O termo poetisa referia-se a umas senhoras que faziam uns versinhos”, explica. Outra poetisa que não se conformou com a «menoridade» do termo foi Natália Correia, que chegou a apelar a Maria Teresa Horta uma união para defender a poesia no feminino. “Na altura, a Natália Correia veio ter comigo e disse-me: nós não mudámos de sexo! Temos que lutar por isto, temos que lutar pela palavra poetisa”, conta Maria Teresa Horta.
Por outro lado, o director do JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) José Carlos Vasconcelos, faz um ponto de ordem à mesa. Sim, senhor, o termo poetisa existe e deve ser utilizado, mas há excepções. “Tenho que fazer aqui uma ressalva. Sophia [de Mello Breyner] queria ser poeta e não poetisa; detestava, aliás, a palavra poetisa. E portanto, nós respeitamos e é assim que escrevemos no JL, quando nos referimos a ela”, conta o jornalista.
E vocês, o que é que acham disto: poeta ou poetisa?
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Nome: Pedro F. Guerreiro
Número de Artigos: 26
Jornalista. Amante de literatura, política, cinema, música, desporto e senhoras. Seguir, aqui: http://objectoquase.blogspot.com

O termo poetisa existe e realmente, se caiu em desuso nos meios de comunicação ou literários, deve ser revitalizado. Nas minhas aulas o termo persiste quando os alunos aprendem o plural e o género dos nomes. Estranham palavras como esta, como imperatriz, como actriz, e não creio que entranhem, porém o simples facto de conhecerem o género dos nomes leva-os a acreditar na real existência do género feminino e masculino em tudo o que os rodeia!Se ao longo da vida vão ter a preocupação de os verbalizar isso já é outra história. No caso da língua portuguesa, são os media que mais contribuem para a deseducação linguística das crianças, dos jovens e dos cidadãos em geral.O que é pena, pois um bocadinho de bom senso, aliado a uma boa formação académica (na área) ajudaria a perservar a nossa língua, que é falada, e que por isso, evolui, mas não de uma forma natural…
Poetisa é aquela que escreve versinhos, versos e versões que abalam mundos, países, sociedades, corações e razões. Poeta é aquele que não tem género, não tem matéria, não tem nome, tem apenas UMA voz, que não fala grosso nem fininho, fala alto para uns,na praça, nos saraus, nos empolgamentos da História e fala mais baixinho para outros no jardim, no lusco fusco de um candeeiro, na própria livraria. O Poeta como é tão grande fica-se apenas pelo poeta, que já não é pouco!!!
(Cont)