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A noite dos Orelha Negra @ Lux

Muito se tem escrito sobre a nova super banda que o país viu nascer no início deste ano, sobretudo com o lançamento do seu primeiro álbum, Orelha Negra. Desde então não pararam de surpreender e, consequentemente, recolher elogios da critica. Já foram apelidados de “novo classicismo” e tiveram direito a um programa de rádio ao lado de quem, no passado, não teria hesitado em lançá-los num tal de «Febre de Sábado de Manhã».

Tudo isto fazia antever uma boa noite para os lados de Santa Apolónia, onde os Orelha Negra tinham a oportunidade de apresentar no Lux o álbum em concerto – já o tinham feito em showcase na Fnac – numa envolvência que faz justiça à sonoridade da banda.

O concerto começou morno, onde a banda fez questão de “cumprir calendário” tocando faixas mais introspectivas e intimistas. Entre estas estavam «Memória» ou «Tanto Tempo», sempre de execução imprevisível, misturando e acrescentando novos elementos sonoros e tornando-as, em certos momentos, faixas totalmente distintas das que haviam ficado registadas em estúdio. Este é, aliás, um ponto que desde logo se destacou neste concerto: quem estaria à espera de ver Orelha Negra – o álbum, foi surpreendido com os Orelha Negra – monstros de palco.

Sem falar nem utilizar qualquer tipo de comunicação, que não a sonora, os Orelha Negra têm o dom de conseguir captar uma ligação imediata com o seu público, fazendo-o dançar, gritar, aplaudir e tudo mais. O boogie acabaria eventualmente por se soltar quando a faixa «Lord» – primeiro single da banda – se fez ouvir, para nunca mais ser apanhado. A partir daqui a temperatura da cave do Lux acabou por subir aos píncaros do inferno, com a banda a puxar bem pelos baixos e grooves, aproveitando a acústica que a sala lhes permitia, sempre bem acompanhados pelos magníficos jogos de luzes que fazem do Lux um espaço ainda mais díspare quando comparadas às típicas salas a que estamos habituados.

Ao vivo, mais do que no álbum, os Orelha Negra fazem questão de dar uma verdadeira lição de cultura negra, passeando pelos vários estilos musicais e artistas que a compõem, originando um “produto” completamente distinto daquele que foi materializado em CD e em Vinil, mas de igual qualidade.

Um puxão para os Orelha Negra.

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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui. Fundador e editor do ilícito[mag] Mais aqui

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