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Caro Hemingway, daqui J. D. Salinger.

Carta de J.D. Salinger endereçada a Ernest Hemingway

O bom escritor que se preze tem uma base de fãs. Venda muitos exemplares, seja um escritor de nicho, viva em reclusão ou seja publicado apenas de forma póstuma, a verdade é que os bons escritores têm sempre fãs, para o melhor e para o pior.

Dentro desse peculiar território da celebridade literária, alguns dos fãs procuram de forma mais directa o contacto com os seus ídolos, utilizando as cartas, ou nos dias que correm, os emails, para demonstrar o seu apreço, bajular sobremaneira a figura que admiram ou obter alguns conselhos de vida ou de escrita.

No grupo dos fãs esteve em tempos inserido um jovem J.D. Salinger. Futura figura mundial da literatura norte-americana, em 1946, o futuro autor de Catcher in the Rye (1951) decidiu escrever uma carta a um dos seus ídolos, também ele fustigado pelos horrores da guerra, isto depois de um breve encontro entre os dois na Europa.

“As conversas que tive consigo foram os únicos minutos de esperança de toda aquela situação”, escreve Salinger no final da sua carta dirigida a Ernest Hemingway, que presente em exposição aberta ao público pela primeira vez na Biblioteca John F. Kennedy, em Boston.

A carta em questão faz parte do acervo de Ernest Hemingway que tem estado guardado na Biblioteca JFK nos últimos 30 anos, tendo sido no entanto sido disponibilizada ao longo dos anos a diversos académicos.

Apresentando um breve olhar sobre a personalidade de Salinger antes da publicação da sua mais relevante obra, de acordo com o director da Biblioteca, Thomas Putnam, uma das razões para a apresentação da carta passa pelo “renovado interesse no reclusivo autor”.

Desaparecido no dia 27 de Janeiro com 91 anos de idade, na sua missiva dirigida a Hemingway, J.D. Salinger inicia a carta com a expressão “Dear Poppa”, uma alcunha do autor de «O Velho e o Mar» utilizada pelas pessoas que lhe eram mais chegadas.

Escrita a partir de um hospital em Nuremberga, na carta Salinger assinala que não se encontra mal de saúde, padecendo apenas “de um constante estado de desânimo”, e que o motivo da escrita de tal epístola passa apenas por “falar com alguém são”.

Salinger pergunta ainda a Hemingway o estado da sua mais recente obra e implora-lhe para que não venda os seus direitos a nenhum produtor de cinema, sendo que sobre a sua própria carreira, o autor de «Franny and Zooey» assinala a produção recente: “escrevi um par de mais uns contos incestuosos, diversos poemas e parte de uma peça”, refere.

Declarando que “tem em mente uma obra bastante sensível”, referindo-se possivelmente a “Catcher in the Rye”, Salinger declara ainda a sua vontade em sair do exército para perseguir uma carreira literária.

De acordo com Putnam, não existe indicação de que Hemingway alguma vez tenha respondido a esta carta, acima de tudo pelo facto de que a Biblioteca não possuir mais nenhum indício de correspondência entre ambos no acervo existente.

- Carta enviada por J.D. Salinger a Ernest Hemingway.

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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