João Batanete é o nome por detrás de «Guilty Pleasures», um projecto pessoal que vagueia por entre os meandros da electrónica, numa viagem sem rumo onde as paisagens nunca se repetem. A música daí resultante é, segundo o próprio, o recolher de clips que foram coleccionados ao longo deste percurso mais ou menos atribulado e que, num primeiro álbum de recordações deu origem ao EP “Wander Gets Electric” – disponível para download gratuito.
Com data de apresentação marcada para o dia 26 de Junho na Fábrica do Braço de Prata, João Batanete deu-se a conhecer ao ilícito partilhando quais as suas influências e, no fundo, aquilo que o inspira nesta sua jornada a que apelidou de «Guilty Pleasures».
ilícito: Antes de mais, para quem nada conhece de «Guilty Pleasures», apresenta-nos o projecto, a sua sonoridade e o porquê do próprio nome?
João Batanete: Ora bem! O projecto «Guilty Pleasures» nasce em 2007, ano durante o qual me dediquei a criar musicas que se enquadrassem em bandas sonoras; a ideia “original” é dos Passengers (U2 & Brian Eno), que já tinham feito um álbum cujo conceito se enquadrava naquilo que eu fazia nessa altura. Fiz doze temas e criei o myspace, gravei uns quantos cds e ofereci uns quantos à malta amiga.
Até à data, estive mais dedicado a outro projecto onde toco bateria (The Dorian Grays), pelo que só no inicio deste ano consegui fazer o “Wander Gets Electric” já com o objectivo de tornar possível uma apresentação ao vivo – em concerto ou performance. Ainda não sei bem o que vai ser, até porque no que diz respeito a esta apresentação sempre estive reticente em fazê-lo apenas com musica, razão pela qual convidei um VJ para criar os “filmes” onde encaixar estas bandas sonoras. Será uma surpresa…ver qual a reacção das pessoas a este audio & video act.
Em relação à sonoridade de «Guilty Pleasures», posso adiantar três palavras onde esta se encaixa – ambiental, experimental e indie.
Apesar dos temas serem compostos totalmente por meios digitais, sem acesso a qualquer instrumento, dito analógico, nunca utilizo os mesmos sons, ou seja, estou sempre a alterar a sonoridade tímbrica dos elementos rítmicos e melódicos que compõem cada musica; dai cada uma soar diferente. Em suma estou sempre à procura de algo novo durante o processo de composição, estou sempre a experimentar as potencialidades que cada som me oferece.
Guilty Pleasures é um tema do “In a bar, Under the Sea”, dos dEUS, álbum com o qual sempre me identifiquei, quer pela sonoridade, quer pelas coisas que lá se cantam. O tema «Guilty Pleasures» sempre foi um dos meus favoritos, juntamente com o “Disappointed In the Sun”, que é de longe a “minha” música. A escolha do nome é apenas uma forma de prestar homenagem a esse álbum.
ilícito: A tua música cria uma envolvência muito própria que parece transportar quem a ouve para lugar incerto. É esse o teu objectivo? Que tipo de emoções esperas criar em quem te ouve?
JB: De certa forma é verdade, quando estou a compor estou em “viagem” permanente; à procura de algo, sem pressas, deixo-me ir pelo que vai acontecendo durante horas a fio. Depois, quando regresso à “terra”, junto os “souvenirs” e dou uma certa ordem à coisa. Imagino que para quem ouve também seja um pouco isso. Quando componho tento sempre que fique qualquer coisa escondida, menos “visível”, para que haja uma descoberta em cada audição, ou, se preferirem, uma nova emoção ao descobrir cada musica.
ilícito: Quais as influências, quer musicais como outras, escondidas por detrás deste projecto?
JB: As influências são variadas e nem sempre pertencem aos mesmos universos, depende do estado de espírito acho eu. No que se refere a este “Wander Guets Eletric” há algumas que são, segundo me dizem, de caras. Os Radiohead, Air, Brian Eno ou até os Sétima Legião no tema “Empire Falls”. Depois há outras bandas que me vão influenciar sempre, os Sonic Youth. os Chemical Brothers, Mercury Rev, Portishead… No entanto, nem sempre se nota isso e nem sempre me influenciam da mesma maneira.
Há de facto outras influencias: outras mais… literárias. Houve um período da minha vida em que li algumas obras de ficção ciêntifica nomeadamente; «Estranho numa terra estranha», «Admirável mundo novo», ou até o «1984» do Orwell, entre outras. De certa forma, as bandas sonoras eram para esses filmes.
ilícito: O que reserva o futuro? Há intenções de o editar num formato físico?
JB: Já estou a trabalhar no sucessor deste “Wander Guets Eletric” e espero ter o processo finalizado até ao final do ano, até lá vamos ver se consigo agendar mais datas, para divulgar o projecto. No que diz respeito a editar, não penso nisso, se algum dia tiver oportunidade ou capacidade para o fazer, edito tudo o que tiver. Até lá quem quiser pode fazer o download aqui.
ilícito: Com a primeira data agendada para 26 de Julho, quais as tuas expectativas para o concerto e que é que as pessoas poderão esperar deste projecto ao vivo?
JB: Pergunta interessante, nem eu sei que esperar, ainda estamos a trabalhar na componente visual, no sentido de criar um espectáculo coerente mas com espaço para algumas improvisações. Quem quiser poderá passar por www.myspace.com/guiltysounds e criar as suas próprias expectativas.
No próximo dia 26 de Junho, o projecto «Guilty Pleasures» estreia-se ao vivo na Fábrica Braço de Prata em Lisboa.
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Software Engineer @ Movensis com mestrado em Sistemas de Informação Empresariais no Instituto Superior Técnico. Fascinado por fotografia, música, cinema e bem...por tudo o que se escreve por aqui.
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