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João Coração @ Teatro Lethes


O ciclo chama-se «Os Novos Românticos». Samuel Úria (5 Junho) e B Fachada (10 de Julho) são os senhores que se seguem, mas as honras de abertura couberam àquele que é porventura o maior romântico no universo FlorCaveira: João Coração.

O centenário Teatro Lethes não foi pequeno para acolher o concerto do autor de «Nº1. Sessão de Cezimbra» e do mais recente «Muda que Muda». Com muitas cadeiras vazias – perto de 40 espectadores – os algarvios e neste caso particular, os farenses, parecem não querer aproveitar as oportunidades que lhes são dadas.

Na sala do Lethes respira-se ainda assim outro ar. Cultura concentrada, um ambiente de outros tempos, guardado para momentos especiais, tais como o concerto do sr. Coração.

A peculiaridade começou logo no alinhamento, ou melhor, na falta dele. As folhas A4 com as letras estavam lá, apenas não tinham uma ordem definida. Miguel Guelpi, Margarida Campelo, Bruno Pernadas, Ricardo Ribeiro e João Pinheiro partiam para as músicas sob o comando do fidalgo Coração.

«Canção Para José E Maria» abriu as hostes. Criada propositadamente para a compilação «A FlorCaveira apresenta o Advento», ao seu autor resta assinalar em palco o facto de ter sido o único dos convidados por Tiago Guillul a criar a sua canção propositadamente para o disco, “três dias antes do prazo final”, acrescenta.

Ouviram-se vozes e sons de «Nº1. Sessão de Cezimbra» (2008), lembrança de uma vida porventura mais simples, onde a exposição mediática não era um objectivo. Não é que hoje o seja, mas como a capa do álbum inferia, aquele ainda era um João Coração tímido, diferente da figura que dá a cara na solarenga, alegre e veraneante capa de «Muda que Muda» (2009).

Este último disco foi, como seria de esperar, a estrada percorrida pela banda e pelo público presente no Lethes. De «Canção Para Ficar», «Passo a Passo» e «Muda que Muda» até «Abre a Janela» e «Cadeiras Ocidentais», a noite foi de músicas que entram sub-repticiamente no ouvido e no coração de quem as ouve.

Pelo meio registe-se a visita a paragens tropicais. Coração cantou Chico Buarque. «Doze Anos», composição original da «Ópera do Malandro», uma ode à saudade, à brincadeira e à meninice não destoou, e o povo agradeceu.

Com a guitarra acústica no colo, João Coração terminou o primeiro concerto do ciclo «Os Novos Românticos» da forma mais apropriada, sussurrando palavras bonitas aos ouvidos do seu público.

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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