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[Crítica] «KickAss»: Um pontapé nos dentes, mas suave.

A adaptação ao cinema não segue exactamente a mesma história da obra original. Geralmente esta é a ideia geral com que os consumidores se confrontam, sejam os pontos de partida livros, peças de teatro ou jogos de vídeo.

Não será regra e muito menos o objectivo final da indústria, mas é rara a adaptação final de um livro de banda desenhada ou novela gráfica – se quisermos diferenciar -, que se transforma num bom filme, ou de qualidade ligeiramente acima da média.

À primeira vista material altamente cinematográfico, seja pela sua criação quase em molduras como pelas histórias de super-heróis e mundos fantásticos, os livros de BD dão, na sua maioria, filmes medíocres.

Existem excepções, é certo, e o renascer das cinzas de Batman em «Batman Begins», pela mão de Christopher Nolan marcou por certo uma nova fase na adaptação de personagens de BD ao cinema, assim como o primeiro «Iron Man», de Jon Favreau.

Tudo isto para dizer que Kick-Ass não é fiel à história de Mark Millar e John Romita Jr., pelo menos totalmente. São algumas as diferenças, naquela que é, na grande maioria, uma simplificação do argumento para o filme.

Não que o Kick-Ass de Mathew Vaughn seja menos divertido e cheio de acção que a BD original. Os ingredientes da fórmula de sucesso estão lá: a violência, a acção, o humor, uma criança a dizer palavrões, está tudo lá.

Assentando na premissa de um mundo onde os super heróis não precisam de poderes para o serem, apoiando-se nas suas próprias convicções morais do bem e do mal para vestirem o fato e entrarem em acção, em Kick-Ass não existem milagres.

Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um jovem adolescente que um dia se pergunta: “Por que não existem super heróis?”. A única diferença é que, ao contrário da esmagadora maioria da população, Dave decide iniciar-se na parte empírica da resposta à sua pergunta.

Vaughn, até há pouco tempo produtor de Guy Ritchie, completa assim ao seu terceiro filme mais uma obra competente, isto depois da estreia em «Layer Cake» – filme que deu, diz-se, o papel de James Bond a Daniel Craig – e nos reinos fantásticos de «Stardust».

Em traços gerais, Kick-Ass é um exercício da estética da BD bem aplicado ao grande ecrã, apresentando todos os símbolos necessários para que assim o seja. Vaughn não inova, mas isso dificilmente lhe era pedido.

Um argumento simples, com um vilão que não foge aos habituais padrões – Mark Strong não perdia nada em diversificar os papéis que escolhe, incidindo constantemente no vilão unidimensional, como prova o novo Robin Hood – e uma banda sonora à maneira. Não há que enganar. Kick-Ass é um divertimento de duas horas, e não é preciso conhecer a fundo a mitologia do super-herói para o apreciar.

A seguir, a sequela. Deixando completamente em aberto o final, tanto na BD como no cinema, Kick-Ass irá ter continuação. No grande ecrã já há nome e data: em 2012 haverá «Kick-Ass 2: Balls to the Wall».

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Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.

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