A relação atribulada de um adolescente com o sexo. Não será um ponto de partida original em qualquer formato, muito menos no cinema.
Nick Twisp é um adolescente obcecado por sexo, ou melhor, pela falta dele. A sua vida não vai de vento em poupa, dividindo o tecto com a sua mãe e o burgesso Jerry, a mais recente paixão da senhora Twisp.
«Juventude em Revolta», filme realizado por Miguel Arteta, relata a história do desabrochar da personalidade de Nick, de jovem tímido com um vocabulário bastante acima da média para a sua idade, até à criação do seu alter-ego Francois Dillinger.
Subproduto dos seus sentimentos e incapacidades reprimidas, a esquizofrenia de Nick surge depois de conhecer a jovem Sheeni Saunders, por quem se apaixona perdidamente.
Movido pela necessidade de agradar a Sheeni, Nick decide enveredar por um caminhos de destruição e rebeldia, empurrado pela personalidade ousada de François, para quem não existem limites.
Neste filme, Michael Cera tem finalmente, através de Nick, ou melhor, de François, uma oportunidade para fugir à personagem-tipo que o tem acompanhado ao longo da sua carreira cinematográfica, o adolescente copinho-de-leite, sendo esta por certo uma das mais valias da película.
O estrangeiro, nomeadamente a França e as suas figuras da Nouvelle Vague, marcam ao longo da narrativa esse lado perigoso, repleto de riscos e de paixão, onde os sentimentos menos puros encontram refúgio. Unidos pelo apreço em relação à cultura francófona das décadas de 60 e 70, Sheeni e Nick têm como entrave a família ultra-religiosa de Sheeni.
Miguel Arteta, realizador relativamente novo no sistema de Hollywood, é competente na realização deste pseudo indie, embarcando ainda assim na utilização de técnicas que pouco ou nada acrescentam à narrativa, como a animação stopmotion em plasticina no início do filme.
Para além de Cera e de Portia Doubleday, «Juventude em Revolta» conta ainda com as interpretações de Steve Buscemi, Ray Liotta, Jean Smart e Justin Long, embora quem “roube” por completo todas as cenas em que entra seja o hilariante Zach Galifianakis.
«Juventude em Revolta» pouco mais é do que uma comédia/romance adolescente com alguns pontos de interesse. Passeia-se por caminhos poucas vezes trilhados nos filmes do género, é certo, e dá ao cinema um Michael Cera diferente, elementos que não são no entanto suficientes para elevar o filme a um patamar de destaque.
Trailer de «Juventude em Revolta»
Artigos Relacionados:
Sobre o autor: Subscrever Artigos deste autor
Nome: Bruno Nunes
Número de Artigos: 292
Apreciador de música, cinema, livros. A bem dizer, apreciador de tudo um pouco. Co-criador e editor do projecto ilícito[mag]. Para mais sobre este indivíduo, visitem http://flavors.me/bmcn.
