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[Crítica] Paco Hunter: directamente dos Tops de Acapulco

Se Paco Hunter diz que é número um no top de Acapulco eu acredito. E acredito porque ouvi o álbum e ao fazê-lo é fácil perceber como é que se pode viver em Braga e ter a cabeça do outro lado do oceano. Paco Hunter bate certo, faz sentido e vale a pena. Tem viagens de carro, boleias no deserto, bares polinésios, bebedeiras e velhos a apertar com latinas em balcões encerados. A guitarra é vadia, cria um ambiente de bar e é muito bem tratada. Há muito humor nas letras e volta e meia ouvimos um espanhol de Tijuana que traz originalidade a Paco Hunter no contexto português.
Surf rock é o que não falta sempre com um registo de voz bem disposto, sem se perder em devaneios demorados.
Conseguem ser alegres e melancólicos, e mudam de disposição da mesma forma como mudam de estilos, experimentando o funk nos temas «Ressurected» e «My Connection», um country bonitinho como em «Tishomingo» e até Bossa mas não vou dizer em qual.
Um trabalho original, que vai buscar combustível a muitos géneros e ainda assim consegue manter a pedalada do seu imaginário base, vale muito a pena espreitar.

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