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	<title>ilícito.net &#187; Críticas</title>
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		<title>[Crítica] Tribruto: «Moços Marafados»</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 09:10:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leila Leiras</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A voz. A dele, a deles e a dos outros. Cá está, Moços Marafados, a nova mixtape de Tribruto. A contar pela audição de &#8220;Grande E Grosso&#8221;, ao qual não ficamos indiferentes, dissemos que restava esperar uma mixtape que navegasse por uma punchline, para uns apaixonante, para outros quiçá, repugnante. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/12/mo%C3%A7osmarafados.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6589" title="moçosmarafados" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/12/mo%C3%A7osmarafados.jpg" alt="" width="226" height="226" /></a>A voz. A dele, a deles e a dos outros.</p>
<p>Cá está, Moços Marafados, a nova mixtape de Tribruto.</p>
<p>A contar pela audição de &#8220;Grande E Grosso&#8221;, ao qual não ficamos indiferentes, dissemos que restava esperar uma mixtape que <strong>navegasse por uma punchline, para uns apaixonante, para outros quiçá, repugnante</strong>. Depois de ouvir a mixtape por inteiro, não troco uma única palavra. Dez faixas. Punchline apaixonante? Sim. Repugnante, quiçá? Concerteza! Se não conhecesse estes moços marafados, diria que o tema <em>Pós-Venda</em> surge como aquele que é feito para vender. A ideia de single, que se destaca por algo em particular. Neste caso, um desvio sonoro do caminho a que tão bem já me habituaram.</p>
<p>(<em>Comé  que é men?</em> Vá, mandem lá agora essa dica)</p>
<p>Respiro calmamente e concluo a questão…  Ufa! Estereótipos à parte, descanso. E descansada, a minha mente lembra-me que aqui, falamos de Tribruto! Aqui, não rimam há meses;  Aqui, a questão é algazarra armada. Seja <em>Pós Venda</em>, ou num  <em>Freak Show</em>, quer seja ao ler o <em>Correio da Manhã</em> ou numa ida ao <em>Supermercado</em>. Um <em>Ar dêcor</em>  ou um <em>Trio d’ Ataque</em> que é assumidamente <em>Grande E Grosso</em>.  <em>Deslarga-me da mão</em>!  “Moços Marafados” <em>É Tribruto</em> “mófoca”.</p>
<p>Referimos ainda <strong>que  a palavra aliada à máquina transpira um carácter com personalidade, de quem não anda cá há três dias mas que se reinventa</strong>.  É ouvir do princípio ao fim. Chegamos ao Supermercado.  Produto em destaque: Dubstep com Tribruto??? Ah, Moços Marafados!</p>
<p>Cá está: Algazarra nos nosso ouvidos… Palavras certas, presença marcante e  a sede de querer sempre mais.</p>
<p>Eu quero! Eles passaram-se e estou para ver o que mais virá.</p>
<p><object width="650" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/69TU_MLhrMg?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="650" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/69TU_MLhrMg?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>- <a href="http://kimahera.bandcamp.com/album/mo-os-marafados" target="_blank">Ouvir «Moços Marafados» na íntegra, cortesia do Bandcamp da Kimahera</a>.</p>
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		<title>[Crítica] Toro Y Moi: «Freaking Out»</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 18:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[electrónica]]></category>
		<category><![CDATA[Freaking Out]]></category>
		<category><![CDATA[Toro y Moi]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de «Underneath the Pine», disco lançado no início de 2011 acolher as melhores das críticas, o projecto Toro Y Moi surge em pleno calor de verão com o mais fresco dos EP&#8217;s. «Freaking Out», assim se chama, é composto cinco incríveis faixas onde a pop electrónica se conjuga na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/09/folder.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-5748" title="folder" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/09/folder-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a>Depois de «Underneath the Pine», disco lançado no início de 2011 acolher as melhores das críticas, o projecto Toro Y Moi surge em pleno calor de verão com o mais fresco dos EP&#8217;s. «Freaking Out», assim se chama, é composto cinco incríveis faixas onde a pop electrónica se conjuga na perfeição com qualquer pista de dança da moda.</p>
<p>Na onda revivalista da música de dança dos 90&#8242;s, «Freaking Out» segue o seu caminho por entre batidas sintetizadas e vozes que ecoam banalidades sobre amores de Sábado à noite e desgostos amorosos. Não será certamente por aí que vamos gostar deste novo trabalho dos Toro Y Moi. A essência está nas melodias extremamente <em>catchy</em> e na envolvência que Chaz Bundick (o homem por detrás da música) consegue criar, onde a voz surge apenas como mais um elemento harmonioso das canções. De produção apurada, com batidas mais ou menos ritmadas, estamos perante cinco grandes músicas fáceis de digerir.</p>
<p>Algures entre os Depeche Mode e os Daft Punk, «Freaking Out» é um álbum que cresce de música para música, atingindo o seu auge em «I Can get Love», a melhor faixa do EP, possuidora de uma entrada arrasadora. Pelo meio há ainda o tema homónimo que merece uma nota de apreço.</p>
<p>Será prematuro afirmar que com este «Freaking Out» Chaz Bundick fecha o ano de 2011 em grande, mas a verdade é que conjugar num ano apenas dois trabalhos como este e «Underneath the Pine» é um feito que apenas está ao alcance dos melhores.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/fAORgYy79hs" frameborder="0" width="600" height="493"></iframe></p>
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		<title>[Crítica] «Deixem Falar as Pedras», de David Machado</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 13:21:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro F. Guerreiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
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		<description><![CDATA[É simples, é demasiado simples. Estando em 2011, sobram 37 anos desde 1974. E contas feitas, a pergunta impõe-se: por onde tem andado a nossa ficção por estes dias [leia-se, por entre estes 37 anos]? E estranhamente, não tem andado por aqui. Aqui, leia-se, é a nossa história recente: a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/Deixem-Falar-as-Pedras.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-5274" title="Deixem Falar as Pedras" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/Deixem-Falar-as-Pedras.jpg" alt="" width="215" height="323" /></a>É  simples, é demasiado simples. Estando em 2011, sobram 37 anos desde  1974. E contas feitas, a pergunta impõe-se: por onde tem andado a nossa  ficção por estes dias [leia-se, por entre estes 37 anos]? E  estranhamente, não tem andado por aqui. Aqui, leia-se, é a nossa  história recente: a ditadura, a censura. Mas não a censura apenas.</p>
<p>David  Machado, nascido quatro anos depois da Revolução de Abril, não viu isso  como um problema e resolveu reflectir sobre o nosso passado,  ficcionando “sem merdas”, como o próprio definiria.</p>
<p>E  apesar da proposta arrojada – ainda mais para alguém que não conheceu  esse passado recente -, o resultado é surpreendente: a história de  Nicolau Manuel é um tratado acerca da memória e da sua volatilidade,  sobre a verdade e a mentira, e os pequenos detalhes que separam uma da  outra. Vai daí junta-lhe diferentes gerações, alguns avanços e recuos  temporais, e duas personagens do quotidiano normal de qualquer pessoa:  um adolescente obeso com problemas com a sua própria força e a sua  apaixonada anoréctica que, tal como o namorado, gosta de heavy metal e  roupa preta. O resultado é a mistura de algo que parece bastante frugal  com algo historicamente imperdível.</p>
<p>Desta  forma, David Machado assume um ruptura com uma certa literatura  portuguesa “estilísticamente snob” &#8211; se se quiser -,  pondo-se a par com  outro emergente escritor português também narrativo, João Tordo. No  entanto, onde Tordo abraça um imaginário quase cinematográfico –  remetendo-nos muitas vezes para uma certa ideia americana de literatura  ou de cinema – Machado é todo ele portugalidade. E já cá faltava alguma,  convenhamos.</p>
       ]]></content:encoded>
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		<title>[Crítica] CineMuerte – Wild Grown (2011)</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 17:10:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Cunha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recordo-me com clareza do primeiro contacto com CineMuerte. Estávamos no ido ano de 2004 e tinha acabado de adquirir o Sampler da editora Raging Planet. Numa altura em que a internet ainda não conhecia as ferramentas que conhece hoje para a divulgação de bandas, termos acesso a samplers de editoras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/Capa_cinemuerte_wild-grown.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-5268" title="Capa_cinemuerte_wild grown" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/Capa_cinemuerte_wild-grown.jpg" alt="" width="270" height="270" /></a>Recordo-me com clareza do primeiro contacto com CineMuerte. Estávamos no ido ano de 2004 e tinha acabado de adquirir o Sampler da editora Raging Planet. Numa altura em que a internet ainda não conhecia as ferramentas que conhece hoje para a divulgação de bandas, termos acesso a samplers de editoras era a melhor forma de sabermos o que havia de novo no cenário <em>undergound</em> nacional.  A música que representava os CineMuerte era «Stuck in a Moment» (retirada do primeiro álbum da banda «Born From Ashes», que viria a sair apenas em 2006) e permitia ver já nesta banda oriunda de Lisboa uma promessa das sonoridades mais pesadas em Portugal.</p>
<p>Cerca de 7 anos volvidos, os CineMuerte continuam no activo, demonstrando um amadurecimento enquanto projecto musical como poucos chegam a conhecer em Portugal, não perdendo no entanto a essência que já em 2004 os caracterizava e me fez andar a cantarolar a música do Sampler no caminho casa-escola-casa.</p>
<p>Prova deste amadurecimento é o novo álbum, «Wild Grown», chegado no dia 6 de Junho às lojas e disponível internacionalmente através da Sony Music. Este é o terceiro longa duração, embora seja o primeiro em registo banda. Inteiramente gravado nos Generator Studios, em Sintra (local onda já haviam gravado o anterior álbum «Aurora Core»), a mistura e masterização dos 10 temas que compõem este trabalho esteve a cargo de Beau Burchell, o conhecido produtor americano e músico dos Saosin (Los Angeles, Califórnia).</p>
<p>A verdade é que depois de dois trabalhos (e algumas participações em compilações e tributos a outras bandas) muito bem recebidos pela crítica especializada e especialmente pelos fãs, a tarefa a que os CineMuerte se propunham não era fácil. Com a concepção de um sucessor ao seu último trabalho, havia a responsabilidade de manter a qualidade a que nos habituaram. Ora, aquela que é uma missão impossível para muitos músicos pouco experientes, parece ter sido superada com naturalidade por parte dos CineMuerte. «Wild Grown» é, desta forma, um disco coeso e maduro, não deixando no entanto de ser directo, energético e determinado, numa muito bem sucedida tentativa de criar um equilíbrio perfeito entre poder vocal e instrumental. A voz de Sophia Vieira é melodiosa, ainda que potente, cheia de força mas capaz de momentos mais carregados de sentimento. Quando se canta neste registo, cai-se por vezes em erros originários em exageros … este não é um desses casos e se há algo que a voz de Sophia nunca é, é ser dolorosa de ouvir.</p>
<p>A música, essa enquadra-se na voz de Sophia como se de um jogo de Tetris em que só caem quadrados se tratasse. Ou seja, a harmonia é total e voz e música completam-se na perfeição, não sendo possível dizer que uma se sobrepõe à outra. Os próprios CineMuerte assinalam pretender “um álbum orientado para um rock orgânico, mais próximo do som tocado ao vivo, com menos recurso a efeitos tecnológicos nos pós produção”. Esta não parece ser no entanto a única diferença em relação aos álbuns anteriores. Se estes eram marcados por um ambiente melancólico e obscuro, por vezes quase gótico, este «Wild Grown» parece mais despido desses sentimentos, sendo antes caracterizado por uma carga mais positiva, uma força menos obscura e não raras vezes carregada até de uma certa sensualidade. A banda prova assim ser capaz de fazer outra coisa que não apenas “mais do mesmo” (o que já era, diga-se, bastante bom), o que só prova o talento dos membros da banda, assim como uma excepcional capacidade de gestão de carreira e maturidade artística.</p>
<p>Outra nota digna de registo prende-se com o facto de este não ser um álbum de um <em>single</em> ou dois. A escolha deste, ainda que nada censurável, poderia ter ido com igual facilidade para qualquer outra das nove faixas. A primeira música &#8211; «To Be You» &#8211; depois de uma rápida intro, marca desde logo o passo para o que se avizinha: músicas com o peso certo, melodias quanto baste e uma voz cativante. O <em>single</em> escolhido para apresentação do disco – «On The Wild Grown Grass» &#8211; é uma música que define bem o disco. Com um refrão <em>catchy</em> e partes pesadas deixa até o mais distraído dos ouvintes num movimento constante, um misto entre o <em>headbang</em> e uns passos de dança. Guitarras, Baixo, Bateria, Teclas e Voz enchem as ondas sonoras numa perfeita sintonia. Destaque ainda para a música que se segue – «Stealing Light» – mais rockeira e arrojada e com a voz de Sophia a atingir um registo mais épico, alternando depois para trechos mais melodiosos. Embora descrito possa parecer confuso, com a audição apercebemo-nos que a transição entre cada momento é feita de forma positiva. As últimas duas músicas – «One And Only» e «Myself» – fecham este novo capítulo da vida dos CineMuerte e deixam saudade. Felizmente o software que uso para ouvir música tem uma função que permite repetir todo o álbum, pelo que a despedida acaba sempre por ser apenas de alguns segundos, até voltar de novo à primeira faixa para mais uma audição de um disco que embora nos cative desde logo, ainda assim consegue ir ganhando mais beleza a cada nova vez que nos passa pelos ouvidos.</p>
<p>Em jeito de conclusão, «Wild Grown» é um cd obrigatório para os fãs do rock nacional, ainda que cantado em inglês, nada ficando a dever ao que de melhor se faz lá fora. Já à venda desde dia 6 de Junho, o álbum terá uma edição exclusiva na FNAC, onde na compra do disco os fãs de CineMuerte terão direito a um convite para um dos concertos de apresentação do disco. O concerto terá lugar no Musicbox (Lisboa), dia 7 de Julho e, depois, no Plano B (Porto) a 9 de Julho.</p>
<p>O <em>single</em> de avanço deste terceiro LP chama-se «On The Wild Grown Grass» e já pode ser ouvido na página oficial dos CineMuerte.</p>
<p><strong>Alinhamento:</strong></p>
<p>01 – To Be You<br />
02 &#8211; Time Without You<br />
03 – Party Chemicals<br />
04 – On The Wild Grown Grass<br />
05 – Stealing Light<br />
06 – Unquiet Thoughts<br />
07 – Your Arms Around Me<br />
08 – Blue<br />
09 – One and Only<br />
10 – Myself</p>
<p><strong>Sites de interesse:</strong></p>
<p>Página Oficial &#8211; <a href="http://www.cinemuerte.net/">www.cinemuerte.net</a></p>
<p>Facebook &#8211; <a href="http://www.facebook.com/pages/cinemuerte/75460759201">www.facebook.com/pages/cinemuerte/75460759201</a></p>
<p>LastFM &#8211; <a href="http://www.lastfm.pt/music/CineMuerte">http://www.lastfm.pt/music/CineMuerte</a></p>
<p>Myspace: <a href="http://www.myspace.com/cinemuerte">http://www.myspace.com/cinemuerte</a></p>
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		<title>[Crítica] Grails &#8211; Deep Politics (2011)</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 16:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Constantino Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ruídos]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[deep politics]]></category>
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		<description><![CDATA[Taj Mahal. Dez da manhã. Os jardineiros tratam dos jardins, os tratadores tratam dos animais. Tudo no seu devido lugar, fresco, claro e majestoso. Eu. Eu ponho o álbum «Deep Politics» dos Grails nos ouvidos pela primeira vez e encosto-me na espreguiçadeira que um dos criados me trouxe. À sombra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/grailsdeeppolitics.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-5132" title="grailsdeeppolitics" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/06/grailsdeeppolitics.jpg" alt="" width="260" height="260" /></a>Taj Mahal. Dez da manhã. Os jardineiros tratam dos jardins, os tratadores tratam dos animais. Tudo no seu devido lugar, fresco, claro e majestoso.</p>
<p>Eu. Eu ponho o álbum «Deep Politics» dos Grails nos ouvidos pela primeira vez e encosto-me na espreguiçadeira que um dos criados me trouxe. À sombra e cansado do passeio no rio, adormeço.</p>
<p>A música explode, eu acordo e a paisagem acorda comigo. O céu tingiu-se numa cascata invertida, troveja por cima e lentamente à frente do &#8220;Taj&#8221; desenha-se um contorno a azul forte. Um rectângulo de luz, uma porta sem volume.<br />
Claro que entrei senão este texto acabava aqui, comigo a acordar deste sonho como é óbvio.</p>
<p>Apareço subitamente numa paisagem com <em>canyons</em> e com uma ventania do outro mundo, passeio-me pelo inóspito e os Grails vão pintando a paisagem. A areia esfrega-se nos meus olhos como as guitarras mais agudas, e o vento empurra o meu corpo todo como o baixo mais pesado.</p>
<p>Grails transporta-nos e transporta-nos bem. Naquelas <em>trips</em> em se corre o risco de não voltar mais. A fusão é tão boa e tão intensa que não é preciso falar dela.</p>
<p>Vão estar sempre na linha ténue em que um momento ou é muito chato ou é uma peça de arte única e genial. Mas depois arrancam e a descarregam a energia toda nos instrumentos e os instrumentos nos nossos ouvidos.</p>
<p>Acordei mesmo.</p>
<p>Entretanto passou um funcionário da secretaria do Taj Mahal (sim, existe) de turbante muito chato com uma série de papéis e requerimentos que eu tinha de assinar porque não podia divulgar a experiência que tinha tido. A dizer-me que Grails eram um assunto de estado com uma classificação de nível 3, que eram &#8220;post-rock-meets-india-meets-stoner-meets-ennio morricone&#8221; sem precedentes e mais mil coisas que não interessavam para nada. Eu tirei-lhe os papéis e pu-lo a ouvir o álbum com os <em>headphones</em> e ele prometeu-me que se ia despedir.</p>
<p><object width="650" height="471"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=17721453&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="650" height="471" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=17721453&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
       ]]></content:encoded>
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		<title>[Crítica] Guta Naki &#8211; Guta Naki (2010)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 17:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Martim Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
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		<description><![CDATA[Guta Naki? Blues?? Hmmm&#8230; Parece interessante. Click! Passado uma hora, muitos &#8220;repeats&#8221; e uma ida à cozinha depois, decido-me a procurar outras músicas e começa a viagem por um &#8220;novo mundo&#8221;. Foi amor à primeira vista. Doce, enigmático, pleno de curiosidade e de rasgos patológicos que roçaram a obsessão. Aliás, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/05/Guta_784170.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5063" title="Guta_784170" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/05/Guta_784170.jpg" alt="" width="640" height="640" /></a>Guta Naki? Blues?? Hmmm&#8230; Parece interessante. <em>Click</em>!</p>
<p>Passado uma hora, muitos &#8220;<em>repeats</em>&#8221; e uma ida à cozinha depois, decido-me a procurar outras músicas e começa a viagem por um &#8220;novo mundo&#8221;.</p>
<p>Foi amor à primeira vista. Doce, enigmático, pleno de curiosidade e de rasgos patológicos que roçaram a obsessão. Aliás, apenas me acalmei quando finalmente, mais ou menos duas semanas depois, consegui o CD e pude deixar as &#8216;Wikis&#8217; e os &#8216;Tubos&#8217; e declarar a minha paixão incondicional, fortalecida faixa após faixa, palavra após palavra, nota após nota.</p>
<p>(Ponto positivo para a saúde mental de alguns mais próximos que já sofriam de tanto me ouvirem chorar pelo CD.)</p>
<p>O ambiente é contagiante, é escuro, por vezes minimal, por vezes caótico. Nele viajam sentimentos sinceros que escolhem as palavras com cuidado, sentimentos que crescem, que explodem, mesclando-se numa nostalgia portuguesa e numa irreverência independente deveras sem identidade, mas basta de rótulos, odeio rótulos, odeio prateleiras e organização e Guta Naki está longe de tudo isso. Estão simplesmente perto de eles próprios e com isso atraem-nos para os escutar.</p>
<p>Música sincera de voz doce com personalidade forte e com quem podemos ter uma conversa e que ainda por cima fala português!</p>
<p>&#8230; Casei-me, tinha de ser.</p>
<p>&nbsp;</p>
       ]]></content:encoded>
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		<title>[Crítica] Battles &#8211; Gloss Drop (2011)</title>
		<link>http://ilicito.net/2011/05/critica-battles-gloss-drop-2011/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 May 2011 13:35:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Constantino Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ruídos]]></category>
		<category><![CDATA[Battles]]></category>
		<category><![CDATA[Gloss Drop]]></category>

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		<description><![CDATA[Vejo dois rastos de fogo num parque de estacionamento ainda molhado da chuvada que caiu há pouco. Contorno o armazém e topo uns gajos a sair de um Delorean com um aspecto diferente. Cheios de equipamento que não conheço e instrumentos parecidos com alguns que já vi, entram no barraco. Espreito por uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/05/Battles-Gloss-Drop.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5052" title="Battles-Gloss-Drop" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/05/Battles-Gloss-Drop.jpg" alt="" width="500" height="500" /></a></p>
<p>Vejo dois rastos de fogo num parque de estacionamento ainda molhado da chuvada que caiu há pouco. Contorno o armazém e topo uns gajos a sair de um Delorean com um aspecto diferente. Cheios de equipamento que não conheço e instrumentos parecidos com alguns que já vi, entram no barraco. Espreito por uma fresta do portão do armazém e vejo um ecrã gigante que dizia Battles e percebi tudo. Eles são mesmo do futuro. Sento-me a ouvir.</p>
<p>Não vale. É batota. Battles aprenderam a tocar e escrevem no futuro. E vem dar concertos ao passado. É normal que soem a estranho e pareçam desafinados.</p>
<p>E ao mesmo tempo, sem darmos conta, depois de uma confusão enorme em que estes amigos do século seguinte quase se perdem, surge uma melodia estridente com as notas certas para nos deixar fluir pelo futuro.</p>
<p>Battles não soam bem nem à primeira nem à segunda tal como uma má notícia vinda de um tempo que não entendemos. Não tentem voltar para o futuro com eles. Esta música é para ouvir hoje.</p>
<p>Trazem ainda mais ritmo desde que nos visitaram pela última vez. E parece-me que o Delorean está mal calibrado porque devem ter aterrado primeiro no Caribe onde escreveram a Dominican Fade, certamente num bailarico caribenho.</p>
<p>Para não ter de classificar este som como experimental, experimentem vocês.</p>
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		<title>[Crítica] «How to Shoot a Reportage &#8211; Brutally Practical Tips and Tricks»</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 09:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mário Cunha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[enzo dal verme]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[how to shoot a reportage]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira década do Séc. XX foi marcada pela crescente acessibilidade de algumas ferramentas e gadgets que, em outros tempos, eram apenas procuradas por profissionais do respectivo ramo. A fotografia é, provavelmente, um dos ramos onde esta evolução mais se fez sentir, não sendo de todo estranho verem-se hoje pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/Foto-2.jpg"><img class="size-full wp-image-4393 aligncenter" title="Foto 2" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/Foto-2.jpg" alt="" width="622" height="414" /></a></p>
<p>A primeira década do Séc. XX foi marcada pela crescente acessibilidade de algumas ferramentas e <em>gadgets </em>que, em outros tempos, eram apenas procuradas por profissionais do respectivo ramo. A fotografia é, provavelmente, um dos ramos onde esta evolução mais se fez sentir, não sendo de todo estranho verem-se hoje pessoas comuns com máquinas que, noutros tempos, fariam inveja a muitos profissionais. No entanto, a democratização do objecto em si não traz consigo uma democratização instantânea do conhecimento necessário para que se consiga valorizar a máquina fotográfica ao máximo. Pois, se como dissemos não é de todo incomum verem-se pessoas comuns com máquinas fotográficas de média e alta gama, também não é incomum ver que muitas vezes o uso que lhes é dado limita-se ao modo automático e pouco mais. Assim, não é a arte fotográfica que fica a ganhar vendo-se difundida, mas apenas o consumismo alimentado pela guerra dos píxeis.</p>
<p>É neste cenário que surge o livro «How to Shoot a Reportage &#8211; Brutally Practical Tips and Tricks» (numa tradução livre para português seria algo como “Como Fazer uma Foto Reportagem – Dicas e Truques Brutalmente Práticos) da autoria de <a href="http://www.enzodalverme.com" target="_blank">Enzo Dal Verme</a>. Com um currículo invejável no que toca à fotografia, Enzo Dal Verme procurou nos últimos anos desprender-se da fotografia comercial para dedicar-se à foto-reportagem.</p>
<p>Em 68 páginas ilustradas com fotos do autor, este tenta de forma clara e objectiva abordar os principais pontos a ter-se em conta durante a realização de uma foto-reportagem. Não se limitando às questões técnicas a ter em conta durante a realização do trabalho, Enzo partilha o seu conhecimento e <em>know how</em>, dando importantes dicas no que toca à preparação e ao que se segue, uma vez realizada a reportagem.</p>
<p>E, como se disse, embora a abordagem técnica esteja presente, o importante deste livro acaba por ser a visão abrangente que Enzo se propõe a transmitir. A foto-reportagem não é, de todo, um género fácil, sendo importante encontrar o equilíbrio entre a captura do momento enquanto um todo (não só visualmente, mas também emocionalmente). Quer sejamos profissionais da fotografia ou meros amadores, este livro oferece uma visão descontraída, mas bastante útil, daquilo que é, potencialmente, a foto-reportagem perfeita.</p>
<p>O livro, além de estar apenas disponível em Inglês, também só pode ser comprado em versão digital, estando à venda duas versões: uma por 4.99€ (uma versão com menos imagens exemplificativas) e outra por 8.59€ (versão com mais imagens). Uma versão física do livro está prevista, embora o autor não avance ainda qualquer data para o seu lançamento. Apesar de todas estas limitações, este é um livro que vale, ainda assim, os euros que custa pela forma clara e ilustrativa como se propõe a dar as bases necessárias a quem deseja tornar-se um barra nas foto-reportagens. Podem adquirir o livro <a href="http://www.enzodalverme.com/blog/2010/12/how-to-shoot-a-reportage-the-manual" target="_blank">aqui</a>.</p>
       ]]></content:encoded>
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		<title>[Crítica] A idade é um posto em «Lola», de Brillante Mendoza</title>
		<link>http://ilicito.net/2011/03/critica-a-idade-e-um-posto-em-lola-de-brillante-mendoza/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 21:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Películas]]></category>
		<category><![CDATA[brillante mendoza]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
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		<description><![CDATA[A idade é um posto. Este é o mantra que ouvimos não raras vezes repetido nos manuais de instruções para uma sociedade perfeita. Perguntam vocês: mas isso dos manuais de instruções para uma sociedade perfeita existe? Não existirá porventura no papel, mas é uma das linhas condutoras da grande maioria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/lola-de-brillante-mendoza.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4199" title="lola-de-brillante-mendoza" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/lola-de-brillante-mendoza.jpg" alt="" width="270" height="360" /></a>A idade é um posto. Este é o mantra que ouvimos não raras vezes repetido nos manuais de instruções para uma sociedade perfeita. Perguntam vocês: mas isso dos manuais de instruções para uma sociedade perfeita existe? Não existirá porventura no papel, mas é uma das linhas condutoras da grande maioria das sociedades espalhadas pelo mundo.</p>
<p>Digo da grande maioria porque, como é do conhecimento geral, esta ideia tem vindo a sofrer uma erosão progressiva nas sociedades ditas ocidentais, nomeadamente Europa e América do Norte, em que a velocidade e a juventude atropelaram tudo e todos no seu caminho de relevância até à implantação efectiva de um novo ideal. Hoje em dia, nos países pertencentes a estes dois blocos continentais, há muito que a idade deixou de ser sinal de propriedade e respeito, transformando-se em algo indesejável e descartável face à força e domínio vibrante das gerações mais jovens e o ideal da juventude eterna.</p>
<p>Nos media, na publicidade, nas instituições, na vida do dia-a-dia, o que importa é manter a juventude, seja através do aspecto exterior ou da manutenção de uma personalidade jovial. Porque tudo é permitido desde que sirva para contrariar a acção de envelhecimento perfeitamente natural, de cirurgias estéticas a todas as outras artimanhas que conhecemos.</p>
<p>Ora em «<a href="http://www.imdb.com/title/tt1496792/" target="_blank">Lola</a>», segundo filme realizado pelo filipino <a href="http://www.imdb.com/name/nm1137289/" target="_blank">Brillante Mendoza</a> em 2009, depois de «<a href="http://www.imdb.com/title/tt1423592/" target="_blank">Kinatay</a>», a idade é mesmo um posto. Um posto de responsabilidades, um posto de respeito, um posto de influência e um posto de sabedoria.</p>
<p>Lola são, na verdade, duas personagens neste filme. Duas avós, matriarcas de duas famílias da classe mais pobre de Manila, capital das Filipinas. Não que o saibamos desde logo ou porque nos seja dito o nome de cada uma delas durante a película, o que só acontece, salvo erro, após leitura dos créditos finais.</p>
<p>As duas Lolas estão no entanto separadas pela lei, num caso que envolve os netos de ambas. De um lado uma, Lola Sepa, cujo neto (Arnold) foi assassinado durante uma rixa num beco de Manila. Do outro Lola Puring, a avó do suspeito desse mesmo crime, Mateo de seu nome. Ambas fisicamente fracas e sem grande poder financeiro, procuram ao longo do tempo que as seguimos, angariar dinheiro para resolver as suas situações. No caso da primeira, pagar o funeral, no caso da segunda, pagar a fiança necessária para a libertação do seu neto.</p>
<p>Apesar das suas próprias dificuldades de mobilidade inerentes à idade avançada, as duas avós &#8211; porque assim são tratadas ao longo de todo o filme &#8211; percorrem as ruas de Manila à chuva, ao sol e ao vento, nas esquadras de polícia, nos tribunais, nos mercados, sempre em busca de uma solução que lhes permita continuar a viver condignamente e colocar uma pedra sobre os problemas que os seus netos lhes colocaram, de uma forma ou de outra.</p>
<p>E já que falamos de Manila, destaquemos o papel de relevo que esta cidade tem em «Lola», não tanto numa perspectiva arquitectónica ou geográfica, mas sim na vida que a enche, no número de habitantes que a assoberba, nas tradições do seu povo, nos elementos climatéricos que alteram a sua natureza. Manila é aqui uma outra personagem, uma figura deificada que tanto dá como tira, e que tem na água, na chuva, nas monções um aliado na forma como domina os habitantes que fazem de Metro Manila um dos maiores aglomerados populacionais de todo o mundo.</p>
<p>Em «Lola» entramos nas ruas, ou deveríamos dizer canais, quase sempre inundados de Malabon City, onde as monções moldaram o estilo de vida, das casas construídas em cima de estacas e onde se pode aparentemente pescar dentro da própria habitação, naquele que parece ser um momento de recompensa divina presente no filme. Para além de inesperada fonte de alimento e via de transporte, a água está também presente nos arranjos e na procissão funerária do neto assassinado, provando que longe do <em>glamour </em>dos canais de Veneza, nos canais de Manila a vida é obrigatoriamente menos romântica.</p>
<p>Filmado utilizando câmaras digitais, o que já vem sendo um hábito de Brillante Mendoza, «Lola» não foge à  filmografia do seu realizador, podendo ser encarado como um misto de novo cinema realista asiático contendo traços de cinema <em>vérité, </em>naquilo que poderia muito facilmente ter sido um documentário sobre as condições de vida e sobrevivência de duas famílias.</p>
<p>«Lola» representa assim um triunfo contra a adversidade, um exemplo em primeira mão de que a necessidade aguça o engenho, e de que a sabedoria associada à idade não deveria ser considerado um <em>handicap </em>para ninguém. Brillante Mendoza marca assim firmemente a sua posição como um dos mais vibrantes realizadores do momento na Ásia e no resto do mundo, com um filme que deveria ser exemplo para muita gente.</p>
<div id="attachment_4197" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=xn9FqpZ6Pcw"><img class="size-full wp-image-4197" title="lola-brillante-mendoza" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/lola-brillante-mendoza.jpg" alt="" width="650" height="366" /></a><p class="wp-caption-text">Clica na imagem para ver o trailer de «Lola».</p></div>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
       ]]></content:encoded>
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		<title>[Crítica] «Discurso do Rei»: Quando um filme rescreve a história</title>
		<link>http://ilicito.net/2011/03/critica-discurso-do-rei/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 14:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Películas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[colin firth]]></category>
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		<description><![CDATA[Foi sem dúvida o grande destaque na cerimónia de entrega dos Oscares de 2011, arrecadando grande parte dos prémios principais &#8211; Melhor Actor Principal para Colin Firth, Melhor Realizador para Tom Hooper, Melhor Argumento Original e Melhor Filme. É certo que a surpresa foi nula, ou perto disso, dado os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/arts-kings-speech-584.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4163" title="arts-kings-speech-584" src="http://ilicito.net/wp-content/uploads/2011/03/arts-kings-speech-584.jpg" alt="" width="584" height="329" /></a></p>
<p>Foi sem dúvida o grande destaque na cerimónia de entrega dos Oscares de 2011, arrecadando grande parte dos prémios principais &#8211; Melhor Actor Principal para <a class="zem_slink" title="Colin Firth" rel="rottentomatoes" href="http://www.rottentomatoes.com/celebrity/colin_firth">Colin Firth</a>, Melhor Realizador para <a class="zem_slink" title="Tom Hooper (director)" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tom_Hooper_%28director%29">Tom Hooper</a>, Melhor Argumento Original e Melhor Filme. É certo que a surpresa foi nula, ou perto disso, dado os prémios arrecadados nas cerimónias que antecedem a dos Oscares, não deixando de ser ao mesmo tempo surpreendente pelo tipo de filme que representa.</p>
<p>Comparando com a concorrência directa, no caso «O Cisne Negro» e «A Rede Social», duas produções americanas que primam pelo arrojo (no primeiro caso) ou pela relevância e actualidade do tema abordado (no segundo caso)  «O Discurso do Rei» poderia, noutro contexto, ser mais um daqueles filmes aspirantes a nomeação e nada mais.</p>
<p>Longe das produções megalómanas americanas, apostando essencialmente na qualidade da escrita e de interpretação, «O Discurso do Rei» pode ser visto, como foi já foi descrito, como uma peça de teatro filmada para cinema. Com planos simples, sem grandes artifícios de produção salvo em algumas transições de cena, com impacto nas passagens temporais mais distantes, o filme faz-se valer da arte e engenho de Colin Firth e <a class="zem_slink" title="Geoffrey Rush" rel="rottentomatoes" href="http://www.rottentomatoes.com/celebrity/geoffrey_rush">Geoffrey Rush</a> &#8211; e a espaços de <a class="zem_slink" title="Helena Bonham Carter" rel="rottentomatoes" href="http://www.rottentomatoes.com/celebrity/helena-bonham-carter">Helena Bonham Carter</a> &#8211; que segundo consta tiveram um papel preponderante na definição de algumas cenas de interacção &#8220;tutor-aluno&#8221; &#8211; uma vez que os meios utilizados por <a class="zem_slink" title="Lionel Logue" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lionel_Logue">Lionel Logue</a> eram em certa medida desconhecidos e pouco académicos.</p>
<p>Acompanhando a evolução da relação entre George VI e seu tutor Lionel Logue, «O discurso do Rei» relata como um homem inseguro de si e das suas capacidades enfrenta o medo de discursar em público, numa época onde com o surgimento da rádio na sociedade não bastava parecer imponente era preciso sê-lo.</p>
<p>E nem é difícil, após a visualização do filme, vermos Colin Firth nestas imagens onde <a class="zem_slink" title="George VI of the United Kingdom" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/George_VI_of_the_United_Kingdom">George VI</a> (o autêntico) discursa. Os tiques físicos, as hesitações e pausas para respirar, e mesmo as falhas, tudo isto está presente na interpretação levada a cabo pelo actor britânico que vê nesta personagem, mais do que um merecido Oscar, o papel que procurava, após um vasto curriculum cinematográfico &#8211; com demasiadas comédias românticas pelo meio.</p>
<p><object width="650" height="518"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WF8q45vwf-0?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0&amp;hd=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="650" height="518" src="http://www.youtube.com/v/WF8q45vwf-0?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0&amp;hd=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>É mesmo neste paralelo com a realidade que o filme deve ser enaltecido. Por um lado, como alguém dizia um dia destes, o que «O Discurso do Rei» pretende fazer não só não é novidade como, em parte, é até banal, na medida em que será apenas mais um filme de carácter histórico. Consegue no entanto algo que os outros tendem em não conseguir, nomeadamente autenticidade na forma como os factos são narrados e na forma como o guião é construído.</p>
<p>Existe ainda a relevância histórica que o filme carrega. Não pela forma que narra acontecimentos de conhecimento público, mas sim pelos factos desvendados que até então haviam permanecido na privacidade dos intervenientes desta história. Tendo recorrido ao arquivo pessoal do neto de Lionel Logue, <a class="zem_slink" title="David Seidler" rel="imdb" href="http://www.imdb.com/name/nm0782436/">David Seidler</a> consegue traçar o perfil de alguém que até então havia passado despercebido da história da humanidade mas que, pelo papel que teve enquanto terapeuta de George VI, terá tido um papel preponderante na construção de um rei capaz de enfrentar a ameaça alemã e um dos períodos mais conturbados do século XX.</p>
<p>Na sua essência «O discurso do Rei» como filme de contexto histórico merece toda a sua relevância materializada nas tão desejadas estatuetas douradas até porque, como <a href="http://ilicito.net/author/pedroguerreiro/">um dos homens da casa</a> me dizia, não fosse os Oscares e este filme passaria totalmente ao lado da história da 7ª arte, quando comparado com a concorrência. Resta saber se isso bastará.</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=53404570-1dd7-4301-936a-07860080cb1f" alt="" /></div>
       ]]></content:encoded>
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